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isolamento social: o que trouxe de bom.

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Achei este artigo pertinente nesta altura porque, finalmente, já estou livre do vírus. Isto não me impede de o ter de novo, mas pelo menos o teste deu negativo. Ter ficado infetada com o vírus Covid-19 foi algo que não estava à espera porque, honestamente, toda a gente estava a ter cuidados cá em casa. Além de ter dois fumadores dentro das 4 paredes, a minha mãe trabalha com idosos e podia, sem querer, infetá-los. Foi ao contrário que aconteceu: a minha mãe apanhou o vírus enquanto trabalhava. O isolamento social foi algo que não estava à espera de ter de fazer, honestamente.

Para quem não sabe, há diferença entre distanciamento social, isolamento e quarentena. O primeiro baseia-se em evitar o contacto com outras pessoas para não espalhar o vírus. O isolamento é para separar os doentes de quem não está infetado para evitar, novamente, espalhar o vírus. A quarentena é restringir atividades ou separar pessoas que foram expostas a uma doença contagiosa para ver se desenvolvem sintomas ou não. Podem ler mais sobre o assunto aqui.

Eu passei pela fase de distanciamento social, quarentena e, por fim, isolamento.

Isolamento Social: O Que Trouxe De Bom

Honestamente, o que vou dizer pode ser a realidade de quem não teve infetado, mas fez o distanciamento social. Não estou a dizer, de todo, que a minha experiência é enaltecida por ter sido infetada nem estou a tentar rebaixar alguém que não teve o vírus. Esta foi a minha vivência e isto foi o que aprendi ao ter sido infetada com o vírus.

Para dar um contexto, os meus sintomas basearam-se em “febre” de 37.7 no máximo, dores de garganta, dores de cabeça, dores musculares e espirros. Eu achava que era apenas uma gripe normal porque apanho gripes facilmente. Aliás, um mês antes de ter sido infetada com o vírus, eu tinha tido gripe. Como eu disse anteriormente, no meu caso não foi muito grave. Tive faltas de ar, mas, muito honestamente, não sabia se era de estar infetada ou se eram crises de ansiedade a quererem aparecer.

NOTA: Se tiveres algum sintoma ou estiveste em contacto com alguém que esteve infetado, não te esqueças de ver o site do SNS24 ou ligar diretamente para eles.

Mesmo quando já estava em distanciamento social, eu tinha percebido certas coisas e ações que eu fazia antes e que não podia fazer agora. Ter ficado infetada e estar praticamente fechada num quarto só fez sublinhar mais isto:

Aproveita enquanto podes.

Isto é a coisa mais básica que toda a gente aprendeu. Ter a possibilidade de estar com alguém era tido como garantido e, muitas vezes, até cancelava coisas só porque não me apetecia ir. No entanto, estar privada da liberdade de abraçar alguém, de tocar em portas, de cumprimentar alguém, de ir a um shopping com os amigos, tudo isso veio trazer a necessidade de aproveitar o máximo que podes. Saborear todos os momentos e deixar para lá as coisas que não precisam da tua atenção.

Faz planos a contar com imprevistos.

Isto já era uma coisa que eu fazia, mas agora percebi que é essencial para se viver de forma mais plena. Logo eu que quando alguma coisa não corre como previsto, começo de imediato a stressar e a ansiedade cresce em mim! É muito fácil acontecer coisas que não estão no teu controlo, são coisas externas a ti, mas podes sempre controlar como reagir a elas. O objetivo aqui é, sempre que estiveres a criar objetivos, perguntar-te o que pode correr mal e pensar numa solução para isso.

Ainda assim, não entres em desespero com o que pode correr mal! É fácil entrar na espiral de pensar demasiado e falo por experiência própria. Tenta criar harmonia entre fazer planos, mas a contar com os imprevistos possíveis.

O Bullet Journal é melhor do que agenda. 

As pessoas que compraram agendas devem estar furiosos por terem gasto dinheiro num produto que está a ser pouco preenchido por causa da quarentena! ? Brincadeiras, não é para criticar ninguém, okay? No entanto, compreendi ainda mais a flexibilidade que o Bullet Journal me trouxe porque se eu não tiver nada para fazer no mês, escuso de abrir as páginas mensais e posso adaptar às minhas necessidades.

Se também quiseres aventurar-te no mundo criativo de organização, podes espreitar este artigo que fiz sobre 5 Coisas Que Gostava de Saber ao Começar o Bullet Journal. Se quiseres, podes também ver como me organizei este mês de forma mais detalhada.

Introvertido não significa antissocial.

Um erro que muita gente comete é pensar que introvertido é igual a antissocial. Um introvertido precisa mais de tempo sozinho para se conectar e recuperar energias, do que um extrovertido. Isto porque a nossa maneira de recarregar é através de nós mesmos, ao contrário dos extrovertidos. Isso não quer dizer que eu não goste de estar com pessoas. Aliás, apesar de ter estado quase 4 semanas em casa só com a minha família, fez-me perceber que preciso, também, de sair para estar com os meus amigos.

Logo quando eu estava finalmente a dizer sim à vida e sim a sair da minha zona de conforto, sim a ser espontânea e dizer sim a saídas inesperadas, aparece um vírus para me voltar a trazer para o meu casulo!

O ar livre faz falta – especialmente se estás em isolamento social.

Isto pode ser mito, ou estupidez minha, ou uma invenção que a minha cabeça criou – mas eu acho mesmo que o ar livre e sair para a natureza ajuda imenso, especialmente, como eu disse, se foste infetada com o vírus. Eu fiz 3 testes: o primeiro para confirmar se tinha o vírus ou não; o segundo fiz 15 dias depois para ver se já tinha passado e deu positivo de novo. Comecei a sair do quarto para ir para a varanda quase todos os dias. Aproveitei aquele tempo para ler e para conectar comigo mesma. O terceiro teste deu negativo. Não quero saber se isto é uma estupidez minha, toda gente devia ir até à varanda e inspirar, expirar e ouvir os passarinhos cantar todos os dias.

 

Isto pode ser aplicado mesmo quando se está em distanciamento social, como já disse acima. Esta foi a minha experiência e coisas que aprendi ou se enraizaram ainda mais na minha cabeça. O vírus trouxe uma realidade que ninguém conhecia e é preciso ter cuidados extras, o que está a ser facilitado. A quarentena comunitária acabou, mas é preciso continuar com as reduções de contactos com outras pessoas, especialmente porque não temos na testa a dizer se estamos infetados ou não.

Acreditem em mim quando digo que meterem um cotonete no nariz não é nada divertido e, apesar de já não sair muito mesmo em tempos normais, afetou-me um bocado não ter contacto com ninguém fisicamente. Muitas das vezes fechava a porta e chorava sem razão, ou sentia-me culpada por ter infetado o meu namorado, entrava em paranóia por querer limpar o quarto todos os dias, tinha medo de tocar numa porta para não infetar ninguém.

Mesmo agora que deu negativo, a minha ansiedade continua muito alta e com medo. Tenham cuidado e protejam-se. Todo o isolamento social e a pandemia pode trazer-te uma certa desmotivação que pode se prolongar por algum tempo. Aqui escrevi algumas coisas que podes fazer para voltar a ter a motivação que tanto precisas!

Até já,

 

 

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